AML Consulting - Polícia Federal desarticula esquema internacional de lavagem de dinheiro

Polícia Federal desarticula esquema internacional de lavagem de dinheiro


Operação conjunta com Receita Federal e Ministério Público investigou desvio de comissões de importação de uma estatal venezuelana a empresas brasileiras de fachada


Uma ação conjunta entre a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal, foi deflagrada na segunda-feira (11). Chamada Conexão Venezuela, a operação é decorrente de uma investigação de três anos, que apura a prática dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa com atuação no Rio Grande do Sul e São Paulo, em conexão com um suspeito venezuelano, investigado pela Interpol por crimes de corrupção.


O efetivo da Polícia Federal, juntamente com a Receita Federal, cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Passo Fundo, e também em Porto Alegre, Canoas, e Erechim. No estado de São Paulo, foram cumpridos mandados nas cidades de Americana e na capital São Paulo. Seis pessoas são alvos de condução coercitiva.


“Essa operação se originou de um trabalho da Receita Federal, em que foi identificado um vertiginoso aumento de receita de uma empresa de um ano para o outro”, afirmou o superintendente da Receita Federal, Paulo Renato Silva Paz. Segundo a Receita, pessoas jurídicas no RS e em SP estavam realizando transações financeiras atípicas, supostamente no exercício de atividade de intermediação de exportação de máquinas e implementos agrícolas do Brasil para a Venezuela. Ainda conforme o superintendente da Receita, o faturamento dessa empresa aumentou em quase 20 vezes em apenas um ano, além de um elevado percentual de despesas, que era incomum na operação que ela realizava. A empresa então foi intimada a prestar esclarecimentos, e teria indicado que os valores seriam comissões pagas pelo apoio a exportações de equipamentos agrícolas realizadas para uma estatal da Venezuela, e esta teria apresentado apenas um beneficiário das transações, alegando que repassava à esta empresa 9% do valor da venda como comissão. “O que chamou a atenção foi que em 2011 o valor das comissões pagas foi de 30%, desproporcional ao serviço, em tese, prestado”, complementou Paz, que também indicou que esta empresa tinha dois sócios e um funcionário apenas. Porém a investigação descobriu outras duas empresas comissionadas, sendo que uma era uma pessoa física e outra jurídica, e ambas não foram identificadas. “A pessoa jurídica nem na internet foi localizada”, afirmou Paz. A única parte comissionada identificada, uma consultoria de São Paulo, apresentou à Receita Federal as vias do contrato, que mencionavam que comissões seriam de 4 a 5 % do valor, o que aumentou ainda mais a discrepância entre os relatos.


Os valores enviados da Venezuela se originavam da estatal investigada, que abriu uma linha de crédito de 315 milhões de dólares em um banco no Panamá, utilizada para fazer o pagamento das exportações. Parte considerável desse montante, porém, não foi destinada aos fabricantes e fornecedores, tendo circulado em contas bancárias diversas e, ao final, remetida ao exterior. Algumas dessas transferências tiveram como beneficiárias pessoas jurídicas sediadas em paraísos fiscais. Parte dos recursos remetidos da estatal venezuelana para o Brasil seria fruto de crime: “O proprietário da empresa importadora responde a processos em seu país por crimes de contrabando, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”, informou o chefe da Delegacia Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Sérgio Eduardo Busatto. Apenas no período de 2010 a 2014, os valores movimentados pela organização teriam ultrapassado R$ 200 milhões. Bussatto salienta que se tratava de um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, e que todas empresas ligadas eram de fachada, criadas para apenas receber os valores.


“Como parte da operação de hoje [ontem], nós atuamos em conjunto com nossas congêneres da Interpol, a regional do Rio Grande do Sul e com a Interpol em Brasília, nossa congênere em Milão, e a polícia espanhola, que culminou na prisão do procurado em Madri”, indicou o chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal, Alexandre Isbarrolla. O caso teve repercussão também na Venezuela, que destacou que a organização criminosa teria desviado, em um período de quatro anos, mais de 65 milhões de dólares.



Diário da Manhã:
http://www.diariodamanha.com/noticias/ver/29458/Pol%C3%ADcia+Federal+desarticula+esquema+internacional+de+lavagem+de+dinheiro

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